Translate

19 setembro, 2011

Saudades da infância


os cavalos que meu pai tinha às mãos
eram dos filhos do patrão
a mim parece-me que sobrou
só a sujeira do chão
casa de chão batido
e de coração partindo

partindo em busca da cidade
de teatros e de felicidade                                                    
deixei para trás a natureza
hoje sinto saudades

saudades de um tempo nobre
em que fome eu não passava
tinha tudo à minha mão
laranjas, peras, jabuticabas
o leite; a vaca dava

das laranjeiras tenho saudades
da minha mãe no alto do pé
a catar laranjas por no saco
e depois cair de pé

chupar laranja era um prazer
que fazíamos em conjunto
a mãe fazia-nos trazer
pra perto dela; todos juntos

tinha tudo naquele lugar
sol, água, terra e luar
lá deixei minha infância.
mas, cá deixei de ser criança    

5 comentários:

  1. Saudades sempre a nos rondar.Um poema lindo que emociona a nos fazer lembrar temos de criança.Beijos

    ResponderExcluir
  2. outubro : os corvos do meu céu



    luminárias devem cintilar
    a solidão da noite
    de luz insólita

    antes de cair dos céus
    olharia as sombras
    das tormentas

    - transformadas em sonhos -

    mas deixo
    que o falso dia
    penetre pelas fenestras
    volitando pigmentos
    pelos lábios petrificados

    exponho
    um seio da face ao sol
    elevo-me à razão do pulso
    que acelera (a)o ritmo dos passos
    até o último instante

    tão tênue
    que eu passo
    a desafiar o tempo
    do vento mais antigo
    e intrigante

    ouço dizer que os anos
    podem alterar rumos
    e muitos anos - o horizonte -

    o olhar que arremessei
    aos céus nesta noite
    não (a)tingiu o coração


    www.escarceunario.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Olá Mana!
    Muitas vezes a saudade bate forte, mas não tenho o dom de expressar como você.
    Lindas suas poesias!
    beijos

    ResponderExcluir
  4. Brincando com meu filho

    A verdade sobre a verdade.
    É essa laranja chupada na boca da inocência.
    É esse menino sujo brincando, a verdade é não aprender.
    O dia está bonito sobre a visão daquela pedra.
    A certeza que a pedra tem é a maior verdade que me cerca.
    Os sons dos insetos, o calor de inseto.
    O que eles falam sobre mim?
    A verdade dos insetos, a vida concluída. E o não saber
    que é inseto.
    Será essa a felicidade, não saber o que se é?
    Se eu falar que sou uma árvore, para uma árvore.
    O que dirá a árvore? Que sou um louco!
    Ou quando não há verdade se é livre!
    Repouso no olhar do meu filho.

    E peço: me ensine a olhar com seus olhos!

    Rodrigo Passos

    ResponderExcluir
  5. Arnoldo, obrigada pela presença e comentário

    Luis Gustavo, grata pelo poema,é lindo.

    Oi, mana,sabe bem do que falo, não? Bom ver a Jana por aqui.

    Rodrigo,bom te-lo por aqui,temos pontos em comum, laranjas... poemas...rs.

    Beijos.

    ResponderExcluir