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23 março, 2012

Outono


rubro
nas letras
do nome

no sol
poente

nos frutos
maduros

nas folhas
que caem

vermelha estação
que se descortina
a baloiçar na renda
de minha cortina

20 março, 2012


em breve terás o mar em meus olhos
ando,  esses dias, espantando o medo
juntando coragem e o tal desapego

em breve terei um vazio em meu colo
as mãos abanando ao sabor da brisa
rumo  ao horizonte que longe matiza

18 março, 2012


quando o inverno secar sua boca
talvez, eu nem chegue à primavera
quando de manhã sozinha à mesa
com uma xícara de café 
se fizerem ausentes suas palavras
a sombra da tarde se estenderá
levando a pouca luz que me aquece

quando o inverno secar sua boca
o silêncio se perpetuará em distância
e talvez  ... eu nem chegue à primavera

12 março, 2012


louca insensatez
prender-me
em silêncios
tão ruidosos
em minha mente
que meus olhos
gritam feito boca

louca insensatez
fechar minha boca
a poesia passeia
dentro do meu corpo
grafa-se em minha tez

e tanta
                           tanta
que quase

                 morro louca

04 março, 2012

puta
na rua
sob o manto da lua

faz vergonhas
às minhas vaidades

um galo
canta nervoso
espanta obscenidades




26 fevereiro, 2012

o tempo que passou por aqui não trouxe flores
só ha rumores de desolação nesses tijolos
mãos abanando de encardidos vazios
olhos perdidos na escuridão do fim
tragam-me um apenas  girassol
e ele se curvará grato
à réstia de luz


25 fevereiro, 2012


quando
o estranho
o diferente
invade a normalidade
causa-me espanto
o espanto que isso causa

04 fevereiro, 2012

Tempo


ouço o sussurro da garoa
o assobio do vento
e ouço teus passos,  tempo

deixa essa noite aí fora
vem pertinho...sem demora
vem dormir na minha cama
escuta este que te chama

deixa lá a chuva e o vento
para um infinito momento
não há melhor acalento

se eu pudesse te prender
nesse quarto para sempre
eternamente poderia viver

23 janeiro, 2012

21 janeiro, 2012


excita-me as entrelinhas de tua boca
que professam versos de indizíveis lampejos
meu ego se exalta na esperança louca
de que  são meus os versos teus