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15 dezembro, 2015

não faço nenhuma busca desmedida
instalo me no conforto prático
das imagens instantâneas
nada que machuque o coração
por mais de um segundo
o mau está instaurado
sofro de abstinência poética 

27 agosto, 2015

fechado pra balanço

nada mais cabe em mim
por esses dias de tempo infinito
onde a ausência estica a dor da alma
e o coração no peito aumenta
o  encurtamento do ar

o que dizer de minha partida
levo na mochila
somente a vida
cética


cismo
silêncio

24 agosto, 2015

amo-te inutilmente
desnecessariamente
sem esperar gozo ou
prazer

amo-te apenas
sabendo circunstancialmente
do desamor causado pela negativa
de doar a minha vida

amo-te nas horas vagas do meu celular
mesmo que este amor me sufoque o peito
me roube o ar

amo-te nas horas ocupadas
e nada espero em ti
nem mesmo que saiba 
dessa loucura de amar
sem esperar
 

15 agosto, 2015

venta lá fora
e a trovoada está em mim
eu cantaria uma canção agora
mas há tempos
roubaram meu violão
que diferença isso faz
os sonhos já haviam partido

24 julho, 2015

na urgência de uma esperança
que me tirasse desse "no sense"
desejei deixar de não ser ninguém
permiti essa invasão clandestina
na minha constante solidão
o prazer irrefutável
que não perdurou
                                                                   descentralizou-me

                             na ordem das coisas

perdi-me tão somente....



                                                                                                

20 junho, 2015

uma dor e um medo
que se camuflam
por um amor inventado
há uma dor e um medo
que surdina na solidão silenciosa
da madrugada
circula o ventre
aumenta o peito em taquicardias

um sentimento
uma dor
um medo

um momento
um amor
um segredo

um medo instaurado
em circundante dor
como vento
que sopra tornados
e aglutina em meu ventre

15 maio, 2015

depois que comprei o abajur amarelo
nunca mais saí de casa
a luz branca no abajur amarelo
clareia a casa toda

minha mãe não tá mais aqui
um dos meninos veio no portão 
e trouxe umas bananas
mandou comer amassada
perdi os dentes dentro de casa

mãezinha não tá mais aqui
morreu dentro de casa
a luz branca queimou
eu não num importo
perdi as vistas dentro de casa

25 janeiro, 2015

no silêncio habitado por lesmas e lagartas
espero o ruflar das asas das borboletas
enquanto atiro caracóis no asfalto

09 janeiro, 2015

Discrepância

sob as flores do resedá
á margem da avenida
fiz minha cama

faço inveja aos olhos
 que passam de trem
do outro lado da rua

passam querendo ficar
sob as flores do resedá
de pele e alma nua

mal sabem que a noite
ele faz  morada
ao frio e a fome

11 setembro, 2014

depois desse bem querer que sinto
todos os vazios estão cheios de você
por onde vou te carrego em meu peito

depois que senti sua presença em mim
não mais existe distância que nos afasta
amanhecemos juntos na luz do arrebol

depois que eu deparar com seus olhos
todas as flores cerrarão suas pálpebras
o inevitável toque tremulará  girassóis