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15 maio, 2016

este é meu último sorriso    
para quem quer viver na escuridão
se minha luz lhe ofusca os olhos
e te causa dor de cabeça              
vou continuar sorrindo  para as borboletas

03 abril, 2016

pálida é a esperança



talvez tenham apercebido a minha morte
morri ou mataram-me por tempo indeterminado sem que eu possa levantar minha cabeça e tirar os olhos do chão para contemplar as belas coisas da vida sem sentir vergonha
que palavra de fogo abrirá caminho novamente e incendiará a ânsia do meu viver
que verbo  soterrará o medo e a incerteza
que adjetivo elevará meu ego
a esperança é pálida

15 dezembro, 2015

não faço nenhuma busca desmedida
instalo me no conforto prático
das imagens instantâneas
nada que machuque o coração
por mais de um segundo
o mau está instaurado
sofro de abstinência poética 

27 agosto, 2015

fechado pra balanço

nada mais cabe em mim
por esses dias de tempo infinito
onde a ausência estica a dor da alma
e o coração no peito aumenta
o  encurtamento do ar

o que dizer de minha partida
levo na mochila
somente a vida
cética


cismo
silêncio

24 agosto, 2015

amo-te inutilmente
desnecessariamente
sem esperar gozo ou
prazer

amo-te apenas
sabendo circunstancialmente
do desamor causado pela negativa
de doar a minha vida

amo-te nas horas vagas do meu celular
mesmo que este amor me sufoque o peito
me roube o ar

amo-te nas horas ocupadas
e nada espero em ti
nem mesmo que saiba 
dessa loucura de amar
sem esperar
 

15 agosto, 2015

venta lá fora
e a trovoada está em mim
eu cantaria uma canção agora
mas há tempos
roubaram meu violão
que diferença isso faz
os sonhos já haviam partido

24 julho, 2015

na urgência de uma esperança
que me tirasse desse "no sense"
desejei deixar de não ser ninguém
permiti essa invasão clandestina
na minha constante solidão
o prazer irrefutável
que não perdurou
                                                                   descentralizou-me

                             na ordem das coisas

perdi-me tão somente....



                                                                                                

20 junho, 2015

uma dor e um medo
que se camuflam
por um amor inventado
há uma dor e um medo
que surdina na solidão silenciosa
da madrugada
circula o ventre
aumenta o peito em taquicardias

um sentimento
uma dor
um medo

um momento
um amor
um segredo

um medo instaurado
em circundante dor
como vento
que sopra tornados
e aglutina em meu ventre

15 maio, 2015

depois que comprei o abajur amarelo
nunca mais saí de casa
a luz branca no abajur amarelo
clareia a casa toda

minha mãe não tá mais aqui
um dos meninos veio no portão 
e trouxe umas bananas
mandou comer amassada
perdi os dentes dentro de casa

mãezinha não tá mais aqui
morreu dentro de casa
a luz branca queimou
eu não num importo
perdi as vistas dentro de casa

25 janeiro, 2015

no silêncio habitado por lesmas e lagartas
espero o ruflar das asas das borboletas
enquanto atiro caracóis no asfalto