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02 novembro, 2016

se quando chegares nesse chão
só encontrares pedras partidas
sequelas das dores e feridas
peço que entenda a minha ida
a vida não espera...
sozinho
na solidão das coisas
não me apego em nada
e nada sou

na parede descascada
de um bar sem amigos
a desolação da vida

a inexistência
 de ser só
não sendo
senão
no outro

10 junho, 2016

tenho esperança de uma pedra no caminho
que faça meu coração tropeçar
preciso saber se ele sangra
ou se é só um peso morto
tempo chuvoso
ruim pra compra farinha
melhor pegar na vizinha

na calçada ladeada de lama
a farinha fez sua cama

não me lembro do sangue
nem da dor
lembro-me
do tempo chuvoso
os poucos dentes que restam
ainda servem para alguns doces
não espio mais minha culpa
nem as de meu pai
não peço mais perdão
quiça um beijo
sele minha boca

15 maio, 2016

este é meu último sorriso    
para quem quer viver na escuridão
se minha luz lhe ofusca os olhos
e te causa dor de cabeça              
vou continuar sorrindo  para as borboletas

03 abril, 2016

pálida é a esperança



talvez tenham apercebido a minha morte
morri ou mataram-me por tempo indeterminado sem que eu possa levantar minha cabeça e tirar os olhos do chão para contemplar as belas coisas da vida sem sentir vergonha
que palavra de fogo abrirá caminho novamente e incendiará a ânsia do meu viver
que verbo  soterrará o medo e a incerteza
que adjetivo elevará meu ego
a esperança é pálida