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15 maio, 2015

depois que comprei o abajur amarelo
nunca mais saí de casa
a luz branca no abajur amarelo
clareia a casa toda

minha mãe não tá mais aqui
um dos meninos veio no portão 
e trouxe umas bananas
mandou comer amassada
perdi os dentes dentro de casa

mãezinha não tá mais aqui
morreu dentro de casa
a luz branca queimou
eu não num importo
perdi as vistas dentro de casa

25 janeiro, 2015

no silêncio habitado por lesmas e lagartas
espero o ruflar das asas das borboletas
enquanto atiro caracóis no asfalto

09 janeiro, 2015

Discrepância

sob as flores do resedá
á margem da avenida
fiz minha cama

faço inveja aos olhos
 que passam de trem
do outro lado da rua

passam querendo ficar
sob as flores do resedá
de pele e alma nua

mal sabem que a noite
ele faz  morada
ao frio e a fome

11 setembro, 2014

depois desse bem querer que sinto
todos os vazios estão cheios de você
por onde vou te carrego em meu peito

depois que senti sua presença em mim
não mais existe distância que nos afasta
amanhecemos juntos na luz do arrebol

depois que eu deparar com seus olhos
todas as flores cerrarão suas pálpebras
o inevitável toque tremulará  girassóis

28 março, 2014

quando eu fizer as pazes com as palavras
vou te contar de minhas andanças
nesses tempos de silêncio

você não vai precisar
de muito tempo pra me ouvir
é tudo tão igual
como um amanhecer chuvoso
ou um dia de sol

mas cada amanhecer é esperado
como se carregado de novo
e o novo encontrado em cada nuance
em riqueza de detalhes e sutilezas

eu preciso fazer as pazes com as palavras

21 março, 2013

P O E M E_S E


quando entro num poema
perco-me
deixo-me levar
por suas cores e sons

quanto entro num poema
muitas vezes
sinto-me derreter
pelo toque de suas línguas
ou contorço meu corpo
nas sombras escuras da dor

poemas são sentimentos
de janelas escancaradas
ou portas cerradas
de almas perdidas
na escuridão

poemas
são pássaros na gaiola
são borboletas
pousando sobre a flor

ando poemando
poemando ando

14 março, 2013

enxuguei tanto minha poesia
que hoje ela se resume
em mudas palavras

07 março, 2013


Versos para afugentar a dor


pelo vão dos dedos
foge-me o precioso

zelos infrutuosos
descasam no vazio 
da renúncia

09 dezembro, 2012


dia a dia
eu a afasto

não tomo refri
café só pela manhã
não lhe dou trela
finjo que não vi

meus olhos
detém o pulsar
da vida 

25 novembro, 2012


teço a vida em árduos pedaços
pesado silêncio
dilacera minhas mãos
em gestos bruscos de arrancar pedras

liberto o veio que corre a seiva