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21 março, 2013

P O E M E_S E


quando entro num poema
perco-me
deixo-me levar
por suas cores e sons

quanto entro num poema
muitas vezes
sinto-me derreter
pelo toque de suas línguas
ou contorço meu corpo
nas sombras escuras da dor

poemas são sentimentos
de janelas escancaradas
ou portas cerradas
de almas perdidas
na escuridão

poemas
são pássaros na gaiola
são borboletas
pousando sobre a flor

ando poemando
poemando ando

14 março, 2013

enxuguei tanto minha poesia
que hoje ela se resume
em mudas palavras

07 março, 2013


Versos para afugentar a dor


pelo vão dos dedos
foge-me o precioso

zelos infrutuosos
descasam no vazio 
da renúncia

09 dezembro, 2012


dia a dia
eu a afasto

não tomo refri
café só pela manhã
não lhe dou trela
finjo que não vi

meus olhos
detém o pulsar
da vida 

25 novembro, 2012


teço a vida em árduos pedaços
pesado silêncio
dilacera minhas mãos
em gestos bruscos de arrancar pedras

liberto o veio que corre a seiva 


25 julho, 2012


quando tudo vai errado
não há remendo que dá jeito
acontecimentos do passado
melhor mesmo é ser desfeito

então o caos é necessário
para tal desconstrução
lutam entre si os contrários
e que vença a melhor razão

assim construímos a história
e a nossa própria relação

13 julho, 2012



minha alma adormeceu as palavras no vazio
e silenciosamente alimenta-se da poesia
que há nas flores

dê-me um único sentimento
que dele farei o mais profundo dos poema

01 julho, 2012


acordei-me pedra na chuva. olhos de lodo semiabertos
inerte. envolta em pingos e um soco no estômago
sou pedra em  meio a chuva. no meio da vida
nada retenho. a  vida passa e  me leva
aos poucos me leva


27 abril, 2012


esse silêncio de colher auroras
e atravessar o dia entre flores e pedras
ah! esse silencio de boca da noite 
silêncio, às vezes, é cárcere de dor
de entardecer-se com a alma despida
pela distância e o desafeto

14 abril, 2012


naquele domingo estavas certo sobre o odor em  suas mãos
aquele demônio vermelho ainda gruda na parede do quarto
a menina prende os cigarras na gaiola vazia do passarinho
e a tarde sonora de verão abre o céu num livro de figuras

a vida pulsa entre felizes deslumbramentos e medos
sensações invadiram sua vida e cegou  seus sentidos
quando abriu o olhos - cobras afagavam seu pescoço
sombras  saiam dos telhados como negras sepulturas

a nódoa em seus dedos pasma a  assustadora predição
do aroma que naquele domingo inalava em suas mãos