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26 fevereiro, 2012

o tempo que passou por aqui não trouxe flores
só ha rumores de desolação nesses tijolos
mãos abanando de encardidos vazios
olhos perdidos na escuridão do fim
tragam-me um apenas  girassol
e ele se curvará grato
à réstia de luz


25 fevereiro, 2012


quando
o estranho
o diferente
invade a normalidade
causa-me espanto
o espanto que isso causa

04 fevereiro, 2012

Tempo


ouço o sussurro da garoa
o assobio do vento
e ouço teus passos,  tempo

deixa essa noite aí fora
vem pertinho...sem demora
vem dormir na minha cama
escuta este que te chama

deixa lá a chuva e o vento
para um infinito momento
não há melhor acalento

se eu pudesse te prender
nesse quarto para sempre
eternamente poderia viver

23 janeiro, 2012

21 janeiro, 2012


excita-me as entrelinhas de tua boca
que professam versos de indizíveis lampejos
meu ego se exalta na esperança louca
de que  são meus os versos teus

19 janeiro, 2012

hoje acordei pedra molhada
escorregadia de verde limbo
de todos os cheiros -impregnada-
de vida inteira


16 janeiro, 2012




várias bocas gritam dentro de mim
faço um silêncio de palavras mudas
segredando inocências e culpas
sou várias
                                      enfim

vozes que se confundem numa só
causam em mim um abismo sem fim
sou pai
                   sou mãe
                                            sou avó
 sou só várias em mim
querendo ser só


06 janeiro, 2012


quando a morte
em nós
instala sua semente
a vida é só
contemplação


01 janeiro, 2012

O dia primeiro


chuva generosa
lava a calçada nua

o corpo
dentro de casa
espera
não ousa
sair na rua

nada se interrompeu
nem esvaziou

não é preciso
recarregar
reiniciar

espera

pesado e cheio
como pedras
na chuva

29 dezembro, 2011

Solidão

solidão não é
estar só
entre quatro paredes

solidão é
não sentir nada

não ter sede
de um amor
uma saudade
uma crença

solidão é
distanciar-se
dos homens
na fé
no sentir