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31 janeiro, 2011

Nuvem


Bem que quis fincar raiz
mas sou nuvem passageira,
mudo de acordo com o tempo
sigo a favor do vento

Quando espessa verto lágrimas
choro até ficar mais leve
até que o vento me leve

Leve-me pra outro horizonte
bem detrás daquele monte
aonde o sol vai se esconder
onde me esconde eu
fugindo do meu bem querer

Quando as lágrimas que chorei
tornarem a me encontrar
eu vou voltar a chorar

Mudando de tempo em tempo
ora leve, ora densa
ora pequena, ora imensa

23 janeiro, 2011

Soneto a uma amiga


Passaram-se as dores, os dissabores,
a raiva, a tristeza e a depressão
fiz novos amigos, novos amores
e você inda mora no meu coração

Amiga das horas obscuras
amiga das horas doente
teu conselho me trouxe a cura
nunca me vi tão contente

Do outro lado da avenida
ausente no meu tempo e espaço
você vai levando a vida

Nossa amizade permanece atual
é sempre uma alegria te ver
a cada encontro casual


não quero colher frutos
quero ser
enquanto acordo
caminho
e volto

enquanto teclo e penso
enquanto deito meu corpo
sobre o seu

enquanto vivo
quero ser


Janeiro


chove inclinado no vão das telhas
pinga no balde, respinga no chão
as águas de março invade janeiro
invade casas, avenidas...
invade as vidas
transborda
a morte

19 janeiro, 2011

Segredo


não consigo atinar
então vivo a imaginar
parece carregar um peso
não há leveza em seu andar
há uma sombra em seu olhar
que do segredo você saia ileso


meus dias tão iguais
não pode ser
um só triste dia

todos tão tristes
e tão iguais
são os meus dias

que me fazem triste
e nada mais

16 janeiro, 2011

Poesia do momento

Instante mágico
em que você me deu bom dia
paramos um pouco a nos falar
coisas à toa, sem valia
enquanto teus olhos me corriam
enquanto eu te sorria
enquanto um imã nos atraia

Sustentar teu olhar
já não podia
instante mágico
de pura poesia
quebrado pela razão
que chefia a emoção
mas que ficou gravado
feito fotografia
que olhei o dia todo
porque nesse dia
só teu rosto eu via

14 janeiro, 2011

Solitude

imagem by site fotográfico Devian Art










 

agora que me reencontrei
não quero me perder novamente
sempre me tive inteira

no alto do abacateiro
estudando para a prova de geografia
(cada rio e afluentes tinham uma cor diferente)
escondida atrás do toco,
ou quando pulava a cerca
a perambular pelas ruas
para livrar-me de uma surra
sempre me tive inteira
 
a quem reclame da solidão
ela é minha maior riqueza
não posso lhe dar o que não tenho
e tudo que tenho você pode ter

com a porta do coração trancada
(para garantir minha solidão)
estou cá do lado de fora
mas não vejo grande coisa
nessa grande metrópole
ouço sons que desagradam,
os cheiros tapam-me as narinas
queimam a garganta
e a sinusite já não permite
que eu levante os olhos
sem franzir a testa

desgosta-me o que vejo
irrita-me o que escuto

estar só comigo mesma
é tudo o que mais quero
quantas e quantas vezes
desejei ser uma ermitã
viver a esmo,
cheia de idéias vãs
morar numa cabana
comer palmito e banana
nunca ter que passar roupas
sem hora para acordar
nem contas para pagar

quero a paz de um riacho com sua melodia e perfume
quero o cheiro da relva repleta de vagalumes

13 janeiro, 2011

Sempre chove

ontem
dia claro
exuberante sol de verão
faltou-me ânimo
não saí

hoje
dia chuvoso
és meu cúmplice
sem culpa
não saio