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22 junho, 2010


hoje o sol me sorriu
entre densas nuvens
e uma  fina garoa

acanhado e com frio
ele me sorriu

05 junho, 2010

Inverno

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inverno
as formiguinhas
fazem via-sacra
na minha cozinha


manhã cinza de inverno
o silêncio se faz longe
aumentando a imensidão do nada


esse silêncio que rasga a alma
tenta loucamente juntar-se a mim
o vento murmura no meu ouvido
coisas que não quero ouvir


inverno
encerro-me em meu quarto
o silêncio penetra através da vidraça
baila
         valsa
                 estonteia-me
                                       faz troça
quer penetrar
na minha indomável
                                          solidão


02 abril, 2010


essa malevolência
essa dormência
de noite mal dormida
movimentos incontidos
embaixo dos lençóis
só vai passar
quando salgar minhas veias
com meu almoço
elevando assim a P.A que baixou
após trinta gotas de dipirona
ingeridas na madrugada

16 fevereiro, 2010

Morte absoluta

não me preocupam as rugas 
preocupa-me sim
o encolher do tempo
 tempo que se esvaí
vai... vai... vai...
deixando a mórbida sensação...
não vai dar tempo


                                                                                       

04 fevereiro, 2010

Sobre poesia


escrever dói demais
sangra, arranha
cada palavra uma contração
por que escrevo, então?
para expurgar,limpar as impurezas
purificar

uma folha de papel em branco
um dedo que circula no ar
não pense que sou doida
mas tenho que gravar
senão neste, em qualquer lugar
a mente pode me trair
desse momento não mais lembrar

tenho que escrever
tenho que reter
tenho que purgar

27 janeiro, 2010

Seja breve

não prolongue sua dor
mate-a

não estique demais sua alegria
sorve-a rapidamente

aproveite o reverberar da paixão
enquanto ainda há rescaldo

o instante é breve e único
e na brutalidade da pressa
reside sua beleza

19 janeiro, 2010

Desconexa


As palavras se desentendem
brigam dentro do meu peito
ficam atravessadas na minha garganta
empurram umas às outras
mas nenhuma quer sair
Efeito de uma solidão planejada?
há dias tento seguir à risca uma ideia
(que não é minha, mas de um poeta louco)

Efeito de um final de domingo?
não sei ...brigo com minhas ideias
e por mais que pense
em não sentir nada por ninguém
nem mal nem bem
olhando a nuvem negra no horizonte
sentindo a fria brisa
que toca minha pele,
desejo imensamente um amigo
para dar-me o braço

06 janeiro, 2010

Flores

não posso evitar
detenho meus olhos
aguço meu olfato
sempre que consigo
ver uma flor

amo as flores
adoraria tê-las
no meu dia a dia
em canteiros,
vasos,
sacadas

desgosto e
dispenso
sua abundância
comercializada
misturada ao cheiro
adocicado da morte

26 dezembro, 2009

Rimbaud - tuas vogais e as minhas

meu A não é negro, e sim, vermelho
boca caliente, língua salivante
cereja entre os dentes

o E pode ser branco; pequena sintonia ?
lanças de gelo buscando pela luz do sol
uma empatia em nossa sinestesia?

I é prata, foge do sangue
grita feliz no fio da navalha

meu U, sim, é negro como o Urubu
do seu verde - só rouba do L a luz

e O azul do seu O/lho
é a transparência do meu


Vogais - Arthur Rimbaud


A negro, E branco, I vermelho, U verde, O azul; vogais
Direi algum dia de vossos nascimentos ocultos
A, negro espartilho peludo das moscas tumultos
Rondando fedores cruéis demais,

Golfos de sombra; E, candura de vapor e de tenda,
Lanças de geleiras altivas, reis brancos, tremos de umbelas
I, púrpuras, sangue cuspido, riso dos lábios belos
Na cólera ou na embriaguez oferenda;

U, ciclos, vibrações divinas do verde mar,
Paz dos pastos semeados de animais, paz das rugas
Que a alquimia imprime na fronte a estudar;

O supremo clarim pleno de estranhos agudos
Silêncios cruzados por anjos e mundos:
- Ô, o ômega, raio violeta de Seus Olhos!



25 novembro, 2009

Casulo

tudo tão morno
tão calmo

parado
seguro

eu vou
mas volto

espere-me
com bandagens
e anticépticos

ou apenas
um beijo